quinta-feira, 14 de novembro de 2013

O leão

  Hoje acordei de um sono forçado e nada restaurador, tomei um banho e coloquei uma bermuda e minha camisa de leão (a cueca está implícita) . Enquanto me divertia olhando o reflexo do leão (e fazendo barulhos de leão) no espelho percebi que ainda tenho muitos traços da criança que já fui.
  É engraçado quando se tira um tempo para analisar seu comportamento tomando como início o momento em que você "começou a se entender como gente". Você percebe que não é mais a mesma pessoa mas pode ver claramente que ainda vive segundo seus próprios códigos de conduta (sejam eles "infantis" ou não). Eu era um menino estranho e solitário que preferia ficar em casa brincando com caixas de bonecos ou sair sozinho pra invadir as casas de vizinhos ou correr pela rua semi nu (hahahaha acontecia regularmente). Me relacionava com poucas pessoas e as concedia meu tempo e minha "lealdade eterna", bem, sempre fui assim: Se você me der um prato de comida (ou pagar comida pra mim) vai ter a minha lealdade eterna. Acredito que quando outra pessoa passa a satisfazer uma necessidade básica de outro ser sem querer nada em troca há um momento de "antinaturalidade" onde o homem passa a ser algo que não existe (ou existe em alguns poucos casos)  na natureza: Um ser que partilha de sua própria comida! Pode parecer besteira mas representa algo sem tamanho para mim e eu adoro comida.
  Outro código que acho engraçado ter conseguido manter por todo esse tempo foi o de ajudar a quem precisa, a quem pede ajuda. Mesmo que eu não faça a mínima ideia de como ajudar ainda vou arregaçar as mangas e tentar pois se trata de mais um momento "antinatural" na vida de seres cada vez mais competitivos, também o faço pelo fato de não ter tido ajuda quando realmente precisava na infância.
  Interessante como nossas vidas são influenciadas por momentos da infância, como desenvolvemos nossas próprias honras, nosso jeito, nosso modo de pensar e passamos a refiná-lo dali em diante.
  Enquanto escrevo este texto, cruzou a minha mente um estalo de pensamento. Estabeleci minha versão da célebre frase: "Ama o próximo como a si mesmo". Para mim se trata de reconhecer as idiossincrasias, peculiaridades que cada pessoa possui e aquela essência exótica que podem nos conferir algo de especial em nosso convívio por essa jornada que chamamos de vida, reconhecendo aquilo, podemos passar a gostar ainda mais das outras pessoas e posteriormente a amá-las! Isso põe em xeque meu pensamento de que o envelhecer tende a nos tornar misantropos.
  Obrigado, camisa de leão por me conferir tais pensamentos no que parecia ser mais um dia comum na vida de um andarilho.
Encerro meu texto com alguns dos sons e frases que enunciei enquanto me olhava no espelho com a ilustre camisa de leão:
RAWR!!
EU SOU O LION!!
RAWR!!!
EU SOU UM LEÃO!!
LEÃO NERVOSO!!
RAWR!!

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